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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Anorexia futebolística

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O Vasco penou para vencer o fraquíssimo Grêmio Prudente, lanterna da competição, por 2 a 1. Diante do magro placar e do ainda mais esquálido futebol apresentado, parece que o time está fazendo uma rigorosa dieta de qualidade. Vencemos, nos firmamos na Sul-Americana, já podemos pensar com segurança no Brasileiro de 2011, mas tudo isso não é – e nem os três pontos são – o suficiente para esquecermos a fraca atuação do time.
Antes mesmo de começar o jogo, a torcida já tinha do que reclamar: depois de ameaçar começar a partida com Felipe e Fumagalli armando no meio de campo, PC decidiu entrar com três volantes, colocando o Romulo no lugar do Fuma.  Tamanha precaução contra o pior ataque não se justificava. Mas, pra piorar a situação, mesmo com três sujeitos que tinham como função primordial marcar, levamos um gol antes. E com o titular de última hora tomando um drible na jogada.
Ver o Prudente abrir o placar logo aos 10 minutos foi a senha para o time, que já não vinha bem, começar a ficar nervoso. Vários passes errados, uma insistência exagerada em jogar pela direita (onde obviamente o adversário reforçou a marcação) e muitas faltas deixaram o jogo bem a gosto do visitante. Ele se fechou todo e só esperava os contra-ataques. PC também parece ter caído na pilha do nervosismo e mexeu no time antes dos 20 minutos da etapa inicial. E acabou mandando mal. Trocando o Rafael Carioca pelo Rafael Coelho, o treinador só conseguiu queimar o filme dos dois: o primeiro, por ser sacado tão rapidamente da partida e o segundo, que queima seu filme sempre que pisa em campo.
Para sorte do PC (e da torcida), a escolha do Romulo acabou se mostrando acertada por acidente. Na verdade, DOIS acidentes. Em três minutos o volante acabou marcando os dois gols do time, ambos em cabeçadas, ambos vindos de cruzamentos do Felipe. Após a virada, o Vasco não conseguiu criar mais e quase sofreu o empate, após uma sobra cair nos pés de um atacante adversário. Se não fosse mais uma das defesas espetaculares do Prass, terminaríamos o primeiro tempo com um placar bem mais complicado.
No intervalo Rafael Coelho fez um favor ao time e passou mal, cedendo lugar ao Fumagalli. Mas mesmo voltando a ter 11 jogadores em campo, o time não melhorou. Sem ter muito o que fazer na partida, o Prudente voltou mais disposto a tentar alguma coisa. Com isso o jogo ficou mais franco. Francamente ruim, é verdade, mas mais aberto. Com mais espaço pra jogar, o Vasco não conseguia fazer nada de prático nos contra-ataques. O time continuava atuando apenas por um lado, dessa vez o esquerdo, parecendo fazer questão de jogar apenas para a torcida nas sociais. E na defesa, a ineficiência era a mesma. O time marcava apenas da nossa intermediária para trás, deixando um rombo no meio de campo. Se a equipe de Presidente Prudente não fosse tão ruim, conseguiria fazer uma graça com certa facilidade.
Como ambos os times pareciam incapazes de fazer qualquer coisa de útil, o jogo acabou como terminou o primeiro tempo. A vitória chegou num momento importante, depois de cinco rodadas – ou mais de um mês – sem conquistar triunfos. Estamos praticamente garantidos na Sul-Americana e nos livramos do rebaixamento. Mas mostrar um futebol desse nível é mais que preocupante. Os próximos quatro jogos são complicados e a repetir a atuação de hoje no clássico contra os tricoletas, as chances de terminarmos o Brasileiro sem vencer um dos rivais cariocas aumentam exponencialmente. Eu até diria que sem poder contar com o Zé Roberto (que levou o terceiro amarelo) e talvez também sem o Eder Luis (que saiu contundido) as coisas vão ficar bem difíceis. Mas mesmo eles se apresentaram tão mal que é de se pensar se farão tanta falta assim. Se até dois dos destaques do time mostraram um futebol raquítico, resta torcer que seus substitutos entrem no domingo com fome de gols.
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A CBF tem uma lista com 10 árbitros aspirantes ao quadro da FIFA. Ao saber que André Luiz de Freitas Castro, o juiz de ontem, integra esse grupo, me pergunto quais são os critérios para tal escolha. O sujeito mostrou total falta de critério na marcação de faltas, na aplicação de cartões e, pior, revelou ter até uma certa cegueira. Cegueira sim, porque só o Stevie Wonder não viu o pênalti cometido Jumar ou a puxada que o Zé Roberto levou dentro de área, ambos os lances no segundo tempo da partida.
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O Mandarino confirmou o interesse do clube em manter o treinador para ano que vem. Rodrigo Caetano e Dinamite já tinham falado a mesma coisa. Nos gols, todo o time foi ao banco de reservas dar um abraço no “professor“. A torcida gritou o nome do técnico ao final da partida, mesmo com o desempenho pra lá de insatisfatório.
Não dá mais pro PC ficar emburrado. Apoio é o que não está faltando nesse momento.

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